FUNIBER  e a Fundação Cátedra China promovem um diálogo estratégico sobre a cooperação entre a China e o Mundo Ibérico 

FUNIBER  e a Fundação Cátedra China promovem um diálogo estratégico sobre a cooperação entre a China e o Mundo Ibérico 

A Fundação Universitária Iberoamericana (FUNIBER), representada pelo Dr. F. Álvaro Durántez Prados, diretor de Relações Institucionais e da Cátedra FUNIBER de Estudos Ibero-Americanos e da Iberofonia, participou recentemente da mesa redonda “Projeção Linguística e Influência Global: uma Aliança Estratégica entre China e o Mundo Ibérico”. Este espaço de reflexão internacional, organizado pela Fundação Cátedra China, reuniu especialistas e representantes acadêmicos para analisar o papel das línguas como instrumentos de diálogo, cooperação e articulação geopolítica em um cenário internacional marcado por profundas transformações tecnológicas, culturais e estratégicas.

A sessão, apresentada e moderada por Marta Montoro, presidente executiva da Fundação Cátedra China, contou também com a intervenção de Ramón María Calduch, vice-presidente dessa instituição e presidente da  Fundação Europeia de Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa (FEMTCI), centro associado da Universidad Europea del  Atlántico (Universidade Europeia do Atlântico, UNEATLANTICO), da Rede FUNIBER, bem como da professora Haiyan Xu, diretora do Instituto Confúcio da Universidade de Castela-La Mancha. Ao longo do encontro, os(as) participantes abordaram diferentes perspectivas sobre a dimensão estratégica das línguas na configuração do cenário internacional contemporâneo.

O mundo de línguas espanhola e portuguesa e a aliança estratégica com a China

Durante o encontro, foi destacada a necessidade de fortalecer uma associação estratégica entre a China e o Espaço Pan-Ibérico ou da Iberofonia, entendido como o grande âmbito multinacional articulado pelos países de línguas espanhola e portuguesa e integrado por cerca de 900 milhões de pessoas em todos os continentes.  Conjuntamente, a China e o Espaço da Iberofonia formam um âmbito global de 2,5 bilhões de pessoas, o que representa uma parte substantiva da humanidade. 

Os participantes coincidiram em destacar que o chinês, o espanhol e o português constituem atualmente três das grandes línguas internacionais com maior projeção demográfica, cultural e geopolítica, configurando um marco especialmente propício para o desenvolvimento de novas dinâmicas de cooperação entre a Ásia, a Europa, a África e a Ibero-América. Nesse sentido, destacou-se que as línguas transcendem hoje sua dimensão estritamente comunicativa para se tornarem instrumentos de entendimento entre civilizações, geração de confiança e construção de relações multilaterais.

Ramón María Calduch destacou que a relação entre a China e o espaço iberófono deve ser interpretada como uma autêntica aliança civilizatória sustentada no diálogo estratégico, na cooperação internacional e na construção de uma ordem mundial mais equilibrada e plural. Além disso, ressaltou que a ascensão da Ásia como principal motor econômico e tecnológico global está transformando progressivamente as dinâmicas internacionais contemporâneas, tornando cada vez mais necessária a consolidação de espaços de cooperação cultural de alcance intercontinental.

Por sua vez, Dr. F. Álvaro Durántez conceituou o Espaço Pan-Ibérico da Iberofonia, destacando que a afinidade e a intercompreensão existentes entre o espanhol e o português tornam esse âmbito um dos maiores espaços internacionais de comunicação e cooperação cultural. Da mesma forma, defendeu que a convergência entre a China e o Mundo Ibérico poderia favorecer a construção de uma das maiores plataformas de cooperação intercultural do século 21. Nesse sentido, destacou que a incorporação do espanhol como língua de projeção estratégica na China contribuiria não apenas para fortalecer as relações com os países hispanofalantes e lusófonos da América, África e Europa, mas também para promover dinâmicas de cooperação internacional mais equilibradas do ponto de vista cultural e linguístico, em consonância com o objetivo de impulsionar uma “Comunidade Global de Futuro Compartilhado”, promovida pela política externa chinesa. Além disso, pôs em destaque o papel que a FUNIBER e sua Rede universitária internacional vêm desempenhando por meio de iniciativas educacionais e acadêmicas promovidas em parceria com universidades chinesas.

A professora Haiyan Xu, por sua vez, abordou a dimensão humanista e cultural da aprendizagem linguística, reivindicando, com base na tradição confucionista, uma educação fundamentada na virtude, na sabedoria e na responsabilidade ética. Além disso, defendeu a importância do uso preciso e rigoroso da linguagem no âmbito diplomático e internacional como elemento essencial para fortalecer a confiança e evitar mal-entendidos entre sociedades e culturas diferentes.

Continuidade e fortalecimento da cooperação entre a FUNIBER e a Fundação Cátedra China

A mesa redonda também ressaltou a consolidação da colaboração estratégica entre a Fundação Cátedra China e a FUNIBER, duas instituições que se tornaram referências no pensamento e na reflexão sobre as relações entre a China, a Espanha e o conjunto do espaço iberófono, particularmente no âmbito da cooperação universitária e educacional. 

Nesse contexto, destacou-se especialmente a realização, no último mês de novembro, em Pequim, do Fórum de Cooperação entre a China e os Países de Língua Espanhola e Portuguesa, promovido conjuntamente por ambas as instituições e outras entidades colaboradoras, como a Fundação Gustavo Bueno, a Academia de Diplomacia e a Associação Ibero-Americana de Comunicação. Este evento já é considerado um importante precedente na articulação de plataformas permanentes de diálogo entre a China e a Iberofonia. 

Além disso, foi anunciado que a próxima edição desse Fórum (que corresponderá ao VIII Fórum Ibero-americano e da Iberofonia) será realizada em Santander, na Espanha, encontro que contribuirá para consolidar novas dinâmicas de cooperação acadêmica, cultural e estratégica entre ambos os espaços linguísticos e culturais.

A participação da FUNIBER e da Cátedra de Estudos Ibero-americanos e da Iberofonia nessas iniciativas reafirma seu compromisso com o fortalecimento da cooperação internacional no âmbito iberófono e com a promoção de espaços de entendimento entre civilizações, baseados no conhecimento, no diálogo intercultural e na diversidade linguística. Em um cenário internacional cada vez mais multipolar e interdependente, esse tipo de plataforma adquire importância crescente para favorecer novas formas de articulação acadêmica, cultural e geoestratégica entre a Ásia e o mundo de línguas espanhola e portuguesa.

  • Da esquerda à direita: Haiyan Xu, diretora do Instituto Confúcio da Universidade de Castela-La Mancha; Ramón María Calduch, vice-presidente da Fundação Cátedra China e presidente da Fundação Europeia de Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa (FEMTCI); Dr. F. Álvaro Durántez Prados, diretor de Relações Institucionais e da Cátedra FUNIBER de Estudos Ibero-americanos e da Iberofonia; e Marta Montoro, presidente executiva da Fundação Cátedra China.