Tem início o V Congresso Internacional de Ação Climática (CIACC 2026), organizado pela FUNIBER, pela Universidade Europeia do Atlântico e pela Fundação Empresa e Clima

Tem início o V Congresso Internacional de Ação Climática (CIACC 2026), organizado pela FUNIBER, pela Universidade Europeia do Atlântico e pela Fundação Empresa e Clima

A Fundação Universitária Ibero-americana (FUNIBER), a Universidad Europea del Atlántico (Universidade Europeia do Atlântico, UNEATLANTICO) e a Fundação Empresa e Clima (FEC) inauguraram a quinta edição do Congresso Internacional de Ação Climática (CIACC 2026), um fórum internacional de referência que reúne especialistas, empresas e instituições para analisar os principais desafios e oportunidades da transição climática numa perspetiva científica, empresarial e regulatória. O encontro decorre nos dias 1 e 2 de julho, em Santander, e tem como sede, pelo quinto ano consecutivo, as instalações da UNEATLANTICO, instituição que faz parte da rede universitária da FUNIBER.

A sessão inaugural contou com a participação do Dr. Santos Gracia, presidente da FUNIBER; do Dr. Rubén Calderón, reitor da UNEATLANTICO; Juan Luis Martín Ayala, vice-reitor de Investigação e Transferência de Conhecimento da Universidade; a Dra. Elvira Carles, diretora da Fundação Empresa e Clima; e o Dr. Roberto Media, conselheiro de Desenvolvimento, Habitação, Ordenamento do Território e Ambiente do Governo da Cantábria.

Da esquerda para a direita: o Dr. Rubén Calderón, reitor da UNEATLANTICO, o Dr. Santos Gracia, presidente da FUNIBER, e a Dra. Elvira Carles, diretora da FEC.

Ao longo dos dois dias, o congresso reúne especialistas do meio académico, institucional e empresarial para abordar questões-chave relacionadas com a gestão dos riscos climáticos, a evolução do quadro regulamentar europeu em matéria de sustentabilidade e o impacto das novas tecnologias na transição ecológica. Através de palestras e mesas redondas, o programa promove a troca de conhecimentos e experiências entre especialistas internacionais, reforçando o diálogo entre a universidade, as empresas e as instituições públicas.

V Congresso Internacional de Ação Climática (CIACC).

Riscos climáticos e sustentabilidade empresarial

A abertura do programa académico foi dedicada aos riscos financeiros e físicos das alterações climáticas nas empresas, com a palestra «Riscos financeiros e físicos das alterações climáticas nas empresas», proferida por Paula Romero, diretora da Alternative Risk Transfer Solutions da Aon Espanha.

Durante a sua intervenção, analisou como os riscos climáticos afetam cada vez mais a atividade empresarial, distinguindo entre riscos agudos, como ondas de calor extremas ou incêndios florestais, e riscos crónicos, entre os quais o aumento das temperaturas e a subida do nível do mar. Além disso, salientou que as organizações que incorporam estratégias de adaptação e sustentabilidade não só reduzem a sua exposição a estes riscos, como também geram novas oportunidades de crescimento.

Paula Romero, diretora da Alternative Risk Transfer Solutions da Aon Espanha.

A sessão prosseguiu com uma mesa redonda composta por Juan María Marqués, diretor comercial para a Península Ibérica e a Europa Central da Descartes Underwriting; Hannes Matt, consultor de startups e gestor de riscos ESG; Antonio Soria, chefe de unidade do Centro Comum de Investigação (JRC) da Comissão Europeia; e Augustin Lion Atlan, especialista em risco climático do Banco de França, que partilharam diferentes perspetivas sobre a gestão dos riscos decorrentes das alterações climáticas.

Evolução normativa e sustentabilidade empresarial

A segunda sessão foi dedicada à análise das alterações regulamentares e ao seu impacto nas empresas. Núria del Pozo, responsável jurídica da Fundação Empresa e Clima, apresentou uma visão geral das alterações introduzidas pela Diretiva Ómnibus, da evolução da Diretiva relativa à Informação Corporativa em Matéria de Sustentabilidade (CSRD) e do desenvolvimento das Normas Europeias de Informação em Sustentabilidade (NEIS).

Durante a sua apresentação, explicou as principais novidades regulamentares, entre as quais a simplificação de determinadas obrigações, as isenções previstas, a nova proposta elaborada pelo EFRAG e o calendário previsto para a aplicação das reformas. Abordou ainda o futuro desenvolvimento das Normas Europeias de Relatórios de Sustentabilidade para grupos não pertencentes à União Europeia (N-ESRS), atualmente em fase de consulta.

Núria del Pozo, responsável jurídica da Fundação Empresa e Clima.

A especialista destacou igualmente a importância da análise de dupla materialidade como ferramenta para avaliar tanto o impacto dos fatores ambientais, sociais e de governação no desempenho financeiro das organizações, como os efeitos que a atividade empresarial gera na sociedade e no ambiente, promovendo uma maior transparência e confiança nos mercados.

Posteriormente, uma mesa redonda reuniu Paula Baldó, consultora de sustentabilidade estratégica (Espanha); Pedro Faria, diretor da área ambiental na EFRAG (Bélgica); Ramón Pueyo, sócio responsável pela Sustentabilidade e Boa Governação da KPMG (Espanha); e Maria Tymtsias, cofundadora da Palau e Chief Community & Sustainability Officer (Bélgica).

Inteligência artificial e transição ecológica

A terceira sessão centrou-se no papel da inteligência artificial na sustentabilidade e na transição ecológica. A palestra principal foi proferida por Roger Pastor, empreendedor, consultor e divulgador especializado em inovação, transformação digital e inteligência artificial.

Os participantes concordaram que a inteligência artificial constitui uma ferramenta estratégica para acelerar a descarbonização e desenvolver soluções inovadoras em áreas como a saúde, a educação, a indústria ou a gestão ambiental.

Roger Pastor, empreendedor, consultor e divulgador especializado em inovação, transformação digital e inteligência artificial.

A sessão prosseguiu com uma mesa redonda na qual participaram Ana Lilia Barbosa, fundadora e diretora da Ágora Educação (México); Alexandra Lillo, especialista em regulamentação e governação ética da inteligência artificial no Observatório de Ética em Inteligência Artificial da Catalunha (Espanha); Soumya Sarkar, professor catedrático de Eletrónica na Universidade de Southampton (Reino Unido); e Pol Torres, responsável pela linha de investigação em Energia e Agroalimentação da Unidade Tecnológica de Inteligência Artificial Aplicada da Eurecat (Espanha).

Neste contexto, foi salientada a necessidade de promover modelos de inteligência artificial mais eficientes, responsáveis e acessíveis, capazes de contribuir para uma transição ecológica sustentável e alinhada com os grandes desafios ambientais internacionais.

A realização do CIACC 2026 reafirma o compromisso da FUNIBER, da UNEATLANTICO e da Fundação Empresa e Clima com a promoção de espaços internacionais de diálogo, investigação e transferência de conhecimento em matéria de sustentabilidade e ação climática. Através deste congresso, as instituições organizadoras reforçam a colaboração entre a comunidade académica, o setor empresarial e as administrações públicas, com vista a promover o desenvolvimento de soluções inovadoras face aos desafios ambientais globais.