A Fundação Universitária Iberoamericana (FUNIBER) publicou um artigo de grande profundidade geopolítica no jornal brasileiro Gazeta do Povo, de autoria conjunta do seu presidente, Dr. Santos Gracia Villar; do diretor de Relações Institucionais da FUNIBER, Dr. Frigdiano Álvaro Durántez Prados; do diretor-executivo da FUNIBER no Brasil, Dr. Oldemar Nólio; e do Dr. Gean Marques Loureiro, ex-prefeito de Florianópolis entre 2017 e 2022.
O artigo, intitulado O idioma espanhol e a geopolítica mundial do Brasil, insere-se na atual conjuntura internacional, marcada por tensões estruturais e por um processo de reajuste do sistema global, no qual coexistem dinâmicas de concentração de poder com a aspiração de diferentes atores a uma ordem mais equilibrada e representativa. Nesse contexto, o texto se concentra em uma questão principal: o papel específico que o Brasil pode desempenhar no atual cenário internacional. O artigo sintetiza suas condições estruturais e adverte que, embora relevantes, não garantem, por si só, uma projeção internacional coerente.
Os autores argumentam que, para se consolidar como uma potência benéfica com alcance global, o Brasil deve primeiramente se afirmar como líder regional e, em um sentido mais amplo, como uma referência civilizacional. Essa afirmação implica reconhecer seu pertencimento a uma região majoritariamente hispanofalante e assumir o valor estratégico do idioma espanhol, estreitamente vinculado ao português sob uma perspectiva histórica, cultural e linguística.
Com base nisso, o artigo desenvolve o conceito de iberofonia como um espaço de convergência intercontinental que integra as comunidades de língua espanhola e portuguesa em todos os continentes. O texto destaca que o alto grau de intercompreensão entre os dois idiomas confere a esse espaço um potencial geopolítico, cultural e educacional singular.
Nesse contexto, o Brasil é apresentado como um ponto de convergência natural entre a América hispânica e a África lusófona e, por extensão, como um eixo central da totalidade do mundo iberófono, incluindo Espanha e Portugal. Essa posição abre uma oportunidade estratégica que, de acordo com os autores, requer uma decisão política consciente para ser plenamente explorada.
FUNIBER e a intercompreensão linguística no espaço iberófono
De igual modo, o artigo se refere à experiência da FUNIBER como um exemplo de cooperação efetiva no espaço iberófono. A Fundação é a primeira plataforma educacional presente em todas as nações iberofalantes da América, Europa e África e concentra seu trabalho no conhecimento mútuo do espanhol e do português a partir da perspectiva da intercompreensão natural. Iniciativas como a Universidade Internacional do Cuanza (UNIC), em Angola, e a Universidad Europea del Atlántico (Universidade Europeia do Atlântico, UNEATLANTICO), na Espanha, ambas integrantes da Rede FUNIBER, ilustram a aplicação prática dessa abordagem.
O idioma como ferramenta de projeção diplomática
Essa dimensão linguística e cultural não se limita ao âmbito acadêmico. Recentemente, durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o embaixador do Brasil, Sérgio França Danese, interveio, em espanhol, para se referir à situação na Venezuela e à intervenção dos Estados Unidos da América. Além do conteúdo de suas declarações, o gesto ressalta o uso do idioma como um instrumento de interlocução regional e de projeção política em um fórum internacional, de acordo com as propostas desenvolvidas no artigo.
O texto completo pode ser lido em Gazeta do Povo.