No mês passado de novembro, o Palácio de los Condes de Valdeparaíso, localizado na histórica cidade de Almagro, Espanha, foi sede do IV Fórum Ibero-Americano e da Iberofonia, no marco da trigésima edição dos Encontros de Filosofia organizados pela Fundação Gustavo Bueno (FGB). Este quarto fórum teve a organização da Fundação Universitária Iberoamericana (FUNIBER), em colaboração com a Academia da Diplomacia, a Associação Ibero-Americana de Comunicação (ASICOM) e a FGB.
Sob o tema central Hispanidade e Iberofonia, o evento se constituiu como um espaço de reflexão interdisciplinar de alto nível sobre a evolução e os desafios que essas realidades culturais e linguísticas enfrentam. A cerimônia de abertura foi presidida conjuntamente pelo Sr. Gustavo Bueno Sánchez, diretor da FGB, e pela Sra. Milagros Calahorra Vera, primeira vice-presidente da Diputación Provincial e conselheira de Ciudad Real. Em sua apresentação, Sr. Gustavo Bueno ofereceu um contexto do evento e agradeceu às instituições organizadoras. Por sua vez, a Sra. Calahorra Vera destacou a importância da crítica filosófica como uma ferramenta essencial para abordar os desafios da realidade contemporânea.
Nesta ocasião, o Dr. F. Álvaro Durántez Prados, diretor da Cátedra FUNIBER de Estudos Ibero-Americanos e da Iberofonia, ministrou a conferência inaugural, intitulada Da Hispanidade à Iberofonia. Além disso, contou-se com a intervenção de outros destacados acadêmicos, entre os quais se incluem o historiador Iván Vélez, que dissertou sobre Língua e tratamento do índio nas instruções virreinais; o historiador Luis Gorrochategui, apresentou O caráter diferencial da expansão espanhola; e o especialista em materialismo filosófico, Marcelino Suárez Ardura, abordou os Fundamentos político-filosóficos da Hispanidade e da Iberofonia. Cada um deles trouxe uma perspectiva inestimável para a análise e a reflexão acerca desses conceitos.
Um percurso pela história do Pan-Iberismo
Durante sua dissertação, o Dr. Durántez expôs os acontecimentos históricos que favoreceram a integração das comunidades dos países hispanofalantes, destacando como os recentes avanços aceleraram a convergência no âmbito oficial. Esse processo de aproximação representa uma mudança de paradigma na geopolítica contemporânea.
A primeira fase da articulação pan-ibérica surge com a origem da Hispanidade, baseada na relação histórica entre os países de língua espanhola da América e da Espanha, juntamente com o desenvolvimento de um movimento que promoveu a união entre esses territórios. Paralelamente, gerou-se um impulso bilateral entre Brasil e Portugal, buscando consolidar uma comunidade entre ambos. O Dr. Durántez salienta como, com o tempo, essa tendência à integração foi se consolidando no século XX por meio da criação de organismos intergovernamentais ibero-americanos destinados a fortalecer os laços entre os países de língua espanhola e portuguesa. A partir de 2021, o Dr. Durántez identifica uma aceleração exponencial no processo de integração entre os países lusófonos e hispanofalantes, o que daria início à segunda fase do processo, que consolida o Pan-Iberismo ou Espaço da Iberofonia. Esse avanço se refletiu em eventos oficiais recentes que ampliaram o alcance da integração, incorporando países hispanofalantes da África e da Ásia.
O panorama geopolítico encontra-se em um momento de inflexão, com a segunda fase da convergência da Iberofonia internacional já em andamento, respaldada por uma série de fatos históricos. A inevitável articulação do Pan-Iberismo, como o Dr. Durántez destaca, fundamenta-se na existência de uma civilização compartilhada, de base cultural e linguística, com uma projeção universal, e não em uma mera arquitetura institucional.