A quinta edição do Congresso Internacional de Ação Climática (CIACC 2026), organizado pela Fundação Universitária Ibero-americana (FUNIBER), a (Universidad Europea del Atlántico (Universidade Europeia do Atlântico, UNEATLANTICO) e a Fundação Empresa e Clima (FEC), chegou ao fim após reunir especialistas internacionais que analisaram alguns dos principais desafios da transição climática, tais como a segurança energética, os mercados de carbono e a gestão sustentável dos recursos estratégicos.
Após um primeiro dia dedicado à análise dos riscos climáticos para as empresas, à evolução do quadro regulamentar europeu em matéria de sustentabilidade e ao potencial da inteligência artificial para acelerar a transição ecológica, o congresso completou o seu programa com três novas sessões centradas na descarbonização e na segurança energética, na economia circular aplicada aos materiais estratégicos e na consolidação de mercados de carbono fiáveis. O evento reuniu investigadores, representantes institucionais e profissionais do setor empresarial, consolidando o CIACC como um espaço internacional de intercâmbio de conhecimento e cooperação face aos desafios das alterações climáticas.
Descarbonização e segurança energética
A quarta sessão do congresso foi dedicada à descarbonização e à segurança energética, duas áreas intimamente ligadas no processo de transição para um modelo energético mais sustentável. Durante o encontro, foram abordados os principais desafios da política energética europeia, entre os quais a segurança do abastecimento, a competitividade económica, a dependência energética e o papel das diferentes fontes de produção de energia para avançar rumo a um sistema descarbonizado.
A sessão teve início com uma palestra magistral do professor Aleh Cherp, docente da Central European University e da Lund University (Suécia), além de autor principal do Sétimo Relatório de Avaliação (AR7) do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC). Posteriormente, uma mesa redonda reuniu Franc Comino, CEO da Sonnen Espanha; Mario Grosso, professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental do Politécnico de Milão; Sergio Rojas, professor investigador do Conselho Superior de Investigação Científica (CSIC); e Esther Zorzano, consultora especializada no setor energético, que analisaram os desafios que a Europa enfrenta para conciliar a descarbonização com um abastecimento energético seguro e competitivo.
Materiais estratégicos e economia circular
A quinta sessão centrou-se na disponibilidade e circularidade dos materiais estratégicos, essenciais para o desenvolvimento de tecnologias limpas e para a transição energética. Os especialistas destacaram a necessidade de reforçar as cadeias de abastecimento e promover modelos de economia circular que permitam prolongar a vida útil destes recursos através da sua reutilização e reciclagem.
As palestras principais ficaram a cargo de Virginia Rodríguez, chefe de Projetos do Instituto Geológico e Mineiro de Espanha (IGME-CSIC), e de Miquel Rovira, diretor da Área de Sustentabilidade da Eurecat. Posteriormente, María José Jurado, geóloga da Geociencias Barcelona (GEO3BCN); Carmen López-Quintana, gestora do Clúster de Resíduos da Catalunha; María Salamero, Diretora de Sustentabilidade do Grupo CELSA; e a Dra. Vanessa Tabernero, professora de Química Inorgânica da Universidade de Alcalá, partilharam diferentes perspetivas sobre os desafios e oportunidades que a implementação de modelos circulares para a valorização de materiais estratégicos suscita.
Mercados de carbono fiáveis
A sexta e última sessão do CIACC 2026 foi dedicada ao papel das normas e dos sistemas de certificação nos mercados de carbono. Os participantes concordaram que a existência de mecanismos de verificação sólidos e independentes é fundamental para garantir a qualidade, a transparência e a credibilidade dos projetos de carbono, bem como para assegurar que os investimentos destinados à mitigação das alterações climáticas gerem benefícios ambientais e sociais verificáveis.
A sessão teve início com uma palestra magistral proferida por Josep Garriga, especialista em alterações climáticas. Em seguida, Mark C. Lewis, sócio e diretor executivo da Climate Finance Partners LLC, e Kayleigh Crabb, investigadora do Centro para a Implementação do Artigo 6.º do Acordo de Paris, participaram numa mesa redonda na qual analisaram a evolução destes mecanismos e a sua contribuição para o reforço da ação climática internacional.
Encerramento do congresso
O congresso terminou com uma cerimónia institucional que contou com a participação do Dr. Santos Gracia Villar, presidente da FUNIBER, do Dr. Rubén Calderón, reitor da UNEATLANTICO, da Dra. Elvira Carles, diretora da Fundação Empresa e Clima, e de Eloy Planes, presidente executivo da FLUIDRA, uma das entidades patrocinadoras do encontro.
Durante a sua intervenção, Eloy Planes destacou o valor do CIACC como um espaço de reflexão e antecipação para abordar os grandes desafios antes que se tornem uma urgência. Neste sentido, afirmou que o objetivo do congresso é «trazer aqui os temas antes que se tornem evidentes para todos» e «iniciar o debate antes que seja inevitável», sublinhando que esta capacidade de antecipação permite que as empresas e instituições se preparem com maior eficácia para as mudanças futuras. Além disso, concluiu salientando que «este congresso ajuda-nos precisamente a alargar o enquadramento antes que a realidade nos obrigue a fazê-lo à pressa».

Com a realização desta quinta edição do Congresso Internacional de Ação Climática, a FUNIBER reafirma o seu compromisso com a criação de espaços internacionais de diálogo, formação e transferência de conhecimento que reforçam a cooperação entre universidades, a comunidade científica, instituições públicas e o setor empresarial. Através de iniciativas como o CIACC, a Fundação continua a promover a partilha de experiências e a procura de soluções colaborativas para enfrentar os desafios ambientais e avançar rumo a um desenvolvimento mais sustentável.





