Por ocasião da viagem apostólica do papa Leão XIV à Guiné Equatorial neste mês de abril, a Fundação Universitária Iberoamericana (FUNIBER) enviou uma mensagem de felicitações e de amizade à comunidade acadêmica e cultural equato-guineense, com particular atenção para os fiéis católicos do país. A FUNIBER desenvolve uma intensa atividade acadêmica neste país ibero-africano, em estreita colaboração com o Centro Internacional de Estudos de Pós-Graduação da Guiné Equatorial e a Cátedra Equato-Guineense de Estudos Ibero-Africanos, dirigidos pelo professor e sacerdote Dr. Fernando Ignacio Ondo.
Na mensagem audiovisual proferida em nome da FUNIBER pelo Dr. Frigdiano Álvaro Durántez Prados, diretor de Relações Institucionais da FUNIBER e da Cátedra FUNIBER de Estudos Ibero-Americanos e da Iberofonia, destacam-se, em primeiro lugar, as razões fundamentais da visita do pontífice, a saber, a celebração do 150.º aniversário da evangelização da Guiné Equatorial, o encontro com o mundo acadêmico e cultural como portador e forjador de uma nova cosmovisão, e a transmissão de uma mensagem de esperança à juventude e à família como elementos básicos da sociedade.
Considerando esses três motivos essenciais da viagem papal, o diretor da Cátedra relevou a singularidade e a posição estratégica da nação equato-guineense no contexto africano e mundial, ao mesmo tempo em que ressaltou a importância do desenvolvimento do ensino superior para que a juventude deste país, contando com o pilar fundamental que representa a família, possa contribuir decisivamente para o progresso de sua própria sociedade e para a afirmação da Guiné Equatorial no mundo atual, crescentemente globalizado.
Guiné Equatorial no espaço hispanofalante e lusófono
Dr. Durántez destacou a singularidade da Guiné Equatorial, referindo-se, em primeiro lugar, à posição única dessa nação no contexto da definição e da articulação do Espaço Intercontinental integrado pelos países de língua espanhola e portuguesa de todos os continentes: aproximadamente trinta nações da África, da América, da Europa e da Ásia. Este específico âmbito intercontinental, majoritariamente católico e academicamente denominado Espaço Pan-Ibérico ou da Iberofonia, fundamenta-se, entre outros elementos, na intercompreensão generalizada que se verifica entre os dois grandes idiomas internacionais ibéricos, o espanhol e o português, e conta hoje com 900 milhões de pessoas, ao mesmo tempo em que representa o maior bloco linguístico do mundo e um quinto da superfície do planeta. Sua articulação, como relembrou o diretor da FUNIBER e acadêmico da Academia de Diplomacia, contribui para uma maior influência e visibilidade de todos os países iberofalantes e para a implementação de mecanismos de cooperação horizontal e triangular entre sociedades e Estados dos distintos continentes. Por fim, fomenta uma globalização mais humana, participativa e diversa, em consonância com os princípios e valores católicos mais essenciais.
Singularidade geopolítica da Guiné Equatorial
Nesse contexto, a mensagem institucional também ressaltou a posição geopolítica singular da Guiné Equatorial, definida por uma série de fatores específicos. A Guiné Equatorial é o único país africano cuja língua oficial é o espanhol e o único Estado soberano que representa estritamente a Hispanidade mundial na África; é o único país do mundo que tem como línguas oficiais o espanhol e o português, o único país hispanofalante que é membro pleno da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e, com o Brasil e Portugal, o único Estado da Comunidade Internacional que participa simultaneamente como membro pleno em organizações do Sistema Ibero-americano e na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Por isso, a singularidade geopolítica e geocultural da Guiné Equatorial situa essa nação como um ponto de encontro e de convergência natural na África e em todo o mundo entre o âmbito de língua espanhola e o de língua portuguesa; e entre a África, a América e a Península Ibérica. Nesse contexto, vem se consolidando o conceito de Ibero-África, conjunto integrado pela Guiné Equatorial e pelos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa —Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe—.
O representante da FUNIBER enfatizou, precisamente, dois importantes países ibero-africanos — a lusófona Angola e a Guiné Equatorial hispanofalante — assumiram recentemente protagonismo no marco da Organização dos Estados da África, Caribe e Pacífico. Na 11.ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo, realizada na cidade de Malabo no mês de março, o presidente angolano, João Lourenço, transferiu a presidência rotativa da Organização ao presidente equato-guineense, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo. E, nessa ocasião, o presidente da Guiné Equatorial afirmou que “somente por meio da concertação política poderemos responder de forma eficaz aos desafios globais e contribuir para uma governança mundial mais justa e equilibrada”.
Essa posição específica da Guiné Equatorial implica um potencial protagonismo para o país, ao mesmo tempo que representa uma oportunidade concreta para a Guiné Equatorial, como vértice natural hispano-africano e ibero-africano, na articulação de todo o Mundo Ibérico, majoritariamente católico. Nesse contexto, a recente visita do papa ajuda a valorizar ainda mais, na sua justa medida, essa posição única da Guiné Equatorial no mundo em geral e no orbe católico em particular.

O orbe católico e o mundo iberofalante
O espanhol, afirmou o Dr. Durántez, é o idioma com o maior número de fiéis católicos no mundo e, atualmente, quase metade dos mais de 1,4 bilhão de católicos vive nos países de língua espanhola e portuguesa da América, da África, da Europa e da Ásia. Essa realidade deve ser conhecida e reconhecida, pois a comunidade católica global não teria hoje o peso e a relevância que alcançou sem o trabalho histórico e evangelizador dos países hispânicos e iberofalantes de todos os continentes. E, nesse contexto, a Guiné Equatorial representa, objetivamente, um paradigma extraordinário de Catolicismo, Hispanidade e Iberofonia.
O ensino superior, fundamental na formação de valores em prol da pessoa e da comunidade
Na mensagem institucional, destacou-se especialmente a importância do desenvolvimento do ensino superior para que a juventude deste país possa contribuir para o progresso de sua própria nação e para a afirmação da Guiné Equatorial na África e no mundo atual. Este é, na opinião do representante da FUNIBER, outro dos principais objetivos da viagem papal, pois o mundo acadêmico e cultural deve ser portador e forjador de uma nova cosmovisão a serviço da pessoa, a serviço da comunidade e a serviço de toda a humanidade.
A mensagem da Fundação Universitária Iberoamericana concluiu reafirmando o compromisso da FUNIBER com a prosperidade do povo equato-guineense e com a projeção da Guiné Equatorial na África, no conjunto da Comunidade Internacional e no amplo mundo cristão e católico.
DESTAQUES
O espanhol é o idioma com o maior número de fiéis católicos no mundo e, atualmente, quase metade dos mais de 1,4 bilhão de católicos vive nos países de língua espanhola e portuguesa da América, da África, da Europa e da Ásia. […]
A comunidade católica mundial não teria hoje o peso e a relevância que alcançou sem o trabalho histórico e evangelizador dos países hispânicos e iberofalantes de todos os continentes.
Guiné Equatorial representa, objetivamente, um paradigma extraordinário de Catolicismo, Hispanidade e Iberofonia.
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