O Dr. Maurizio Battino, diretor da Fundação Universitária Ibero-americana (FUNIBER), na sua sede em Itália, e reconhecido investigador científico na área da nutrição, participou num estudo intitulado «The Health Benefits of Tamarindus indica: A Focus on the Relationship Between Phytochemical Composition and Physiological Effects». Este trabalho analisa o valor nutracêutico do Tamarindus indica, vulgarmente conhecido como tamarindo, e a sua relação com a composição fitoquímica e com diversos efeitos fisiológicos benéficos para a saúde.
A investigação, publicada na revista científica Nutrients, analisa o papel desta espécie tropical da família Fabaceae, amplamente utilizada pelas suas aplicações culinárias, medicinais e industriais, com especial atenção aos compostos bioativos presentes nos seus frutos e à sua possível contribuição na prevenção e no tratamento complementar de diversas doenças.
Produtos naturais e potencial nutracêutico
Atualmente, a farmacoterapia convencional face a algumas das doenças mais prevalentes continua a apresentar limitações em termos de eficácia, acessibilidade ou efeitos secundários. Neste contexto, os produtos naturais e os alimentos com propriedades funcionais têm vindo a adquirir uma relevância científica crescente, especialmente devido ao seu potencial como fontes de compostos bioativos capazes de modular processos relacionados com o stress oxidativo, a inflamação, o metabolismo lipídico ou a resposta antimicrobiana.
O tamarindo tem sido tradicionalmente utilizado em diversas regiões do mundo para tratar distúrbios digestivos, febre, feridas, diarreia, infeções parasitárias, problemas respiratórios e outras afeções. No entanto, embora as suas utilizações populares sejam amplas, é necessário integrar a evidência científica disponível para compreender melhor quais os componentes que poderiam explicar os seus efeitos e em que condições poderia ser considerado um recurso de interesse no domínio da nutrição e da saúde.
Embora investigações anteriores já tivessem identificado propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, antimicrobianas, cardioprotetoras, antidiabéticas e hepatoprotetoras, as evidências permaneciam dispersas. O estudo em que o Dr. Battino participa integra estes conhecimentos e relaciona a composição fitoquímica do fruto com os seus possíveis mecanismos de ação e efeitos fisiológicos.
Composição fitoquímica e valor nutricional
Os resultados mostram que o fruto de Tamarindus indica contém uma ampla variedade de compostos fitoquímicos, entre os quais flavonóides, taninos, alcalóides e saponinas. Estes componentes apresentam um interesse notável pela sua capacidade de combater os radicais livres, melhorar a atividade das enzimas antioxidantes e desintoxicantes, exercer efeitos antimicrobianos, atenuar a ativação de mediadores pró-inflamatórios e regular a expressão de genes ligados ao metabolismo dos lípidos.
A polpa do tamarindo destaca-se pelo seu teor de hidratos de carbono, fibra alimentar e proteínas, além de minerais essenciais como cálcio, magnésio, fósforo e potássio.
Contém também vitaminas como tiamina, niacina, riboflavina e ácido ascórbico, bem como ácidos orgânicos, especialmente o ácido tartárico, responsável em grande parte pelo seu sabor característico. Estes elementos contribuem para explicar a sua relevância nutricional e o seu interesse como alimento funcional.

Atividade antioxidante, anti-inflamatória e antimicrobiana
Os compostos fenólicos presentes no Tamarindus indica revelam um potencial antioxidante promissor, ao contribuírem para neutralizar as espécies reativas de oxigénio e reforçar os mecanismos de proteção celular. Esta atividade reveste-se de especial interesse, uma vez que o stress oxidativo está intimamente ligado ao desenvolvimento de doenças crónicas, como as cardiovasculares, metabólicas, inflamatórias e degenerativas. Além disso, alguns compostos do tamarindo poderão exercer um efeito anti-inflamatório ao reduzirem a ativação de mediadores relacionados com a inflamação, embora os investigadores salientem a necessidade de realizar estudos clínicos mais rigorosos que confirmem estes benefícios em seres humanos.
A revisão identifica também uma atividade antimicrobiana notável em diversos extratos de Tamarindus indica, capazes de inibir o crescimento de diferentes microrganismos, o que corrobora algumas das suas utilizações tradicionais. Este potencial abre novas perspetivas para o desenvolvimento de produtos naturais complementares; no entanto, os autores sublinham que, antes da sua aplicação, é imprescindível avaliar com maior precisão aspetos como a segurança, as doses adequadas e os contextos de utilização, com o objetivo de garantir a sua eficácia e uma utilização responsável.
Implicações metabólicas e novas linhas de investigação
A revisão indica que alguns compostos do tamarindo poderiam influenciar o metabolismo dos lípidos através da regulação de genes específicos, o que ajudaria a explicar os seus possíveis efeitos anti-hiperlipidémicos e cardioprotetores. Além disso, vários estudos apontam para um potencial efeito antidiabético e hepatoprotetor, características de grande interesse face à crescente incidência mundial de doenças metabólicas e hepáticas.
Os autores concluem que o tamarindo representa uma fonte promissora de compostos bioativos com potencial aplicação na saúde. No entanto, salientam a necessidade de realizar investigações mais avançadas e ensaios clínicos que permitam confirmar a sua eficácia, estabelecer doses seguras e compreender melhor os seus mecanismos de ação. Estes avanços contribuirão para reforçar o desenvolvimento de alimentos funcionais e nutracêuticos baseados em evidência científica.
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Para ler mais investigações, consulte o repositório da UNEATLANTICO.
A FUNIBER promove a formação na área da saúde e da nutrição, pelo que oferece bolsas de estudo para programas como o Mestrado Internacional em Nutrição e Dietética, destinado a profissionais interessados em aprofundar a relação entre alimentação, prevenção de doenças e bem-estar.